27 fevereiro 2026

A senhoria

Ultimamente tenho ouvido muito falar em extraterrestres, reptilianos, viagens no tempo e outras coisas que envolvem um mundo escondido e camuflado que se mistura com o nosso.  Ontem tive a prova de que isso é verdade. Fiódor Dostoiévski é um desses seres. Que ele era genial já sabia, tal como toda a gente. Ontem, ao concluir a leitura da sua novela "A senhoria", descobri que ele é muito mais do que isso: O Fiódor viajava no tempo! Esta verdade escancarou-se perante mim. Se a ler, caro leitor, verá de que falo verdade. Está lá tudo o que se passou entre o Miguel Lucas e a Catarina! À medida que ia lendo a novela ia ficando com esta certeza, estupefacto com as semelhanças que ia encontrando. Cada vez mais me ia convencendo de que estava perante a revelação do meu futuro! A avidez por chegar ao fim ia-se misturando com a reserva em me deparar com um final que não queria para mim, apesar de o ser já óbvio para toda a gente…

Se quiser ler a novela, caro leitor, o que recomendo, aviso-o desde já que este texto contém spoiler. Se porventura já tiver lido a novela, e se conhece o que escrevi, poderá constatar por si mesmo se tenho ou não tenho razão. 

Vejamos: O Ordinov conhece a Katerina numa igreja; fica embasbacado com a sua beleza, com os seus olhos e cabelos negros contrastando com a sua clara pele; com os seus modos. Neste ponto fiquei logo admirado com as coincidências.  E ainda nem sabia o nome dela... O próprio Ordinov tem muitos aspetos da sua personalidade com os quais me identifiquei: É introspetivo, solitário, infantil, sonhador, com dificuldades em se relacionar com o mundo exterior…

Mas prossigamos. Esta Katerina também tem uma relação com outro homem. Que também nunca se percebe muito bem como é.  Que nunca se percebe se o ama ou não.  E essa dúvida vai atormentando Ordinov o tempo todo. Ele vai percebendo sinais de que é amado por ela e, apesar de encontrar no seu homem um obstáculo, sente que este vai ser ultrapassado. Que o seu sonho se vai tornar realidade…

Quer mais evidências, caro leitor? No final ela surpreende Ordinov, e a nós que lemos a novela, revelando-lhe desprezo e escolhendo regressar à sua terra com o seu homem, deixando Ordinov na mais completa amargura… O Ordinov misturou a realidade com as suas fantasias sem conseguir distingui-las. E esta foi também a minha história!

É verdade que não é só minha, o que só por si não seria suficiente para tirar estas conclusões acerca de Fiódor Dostoiévski. Mas foi a sua desfaçatez em não disfarçar nada, dando à sua personagem o mesmo nome, a mesma beleza, os mesmos comportamentos, sabendo que eu ia ler a sua novela, que me fez ter a certeza destas minhas afirmações. Nunca lhe perdoarei o gozo que teve à minha custa pelo facto de eu, não sendo da sua raça, não poder ir ao passado para lhe ir apertar o pescoço!


 


 

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